A polêmica da Fita 2019 - Entenda o que levou o Royal Express a cancelar contratos com a Feira

Hoje, uma polêmica se abateu sobre o Royal Express, e gostaria de explica-la.
Assim não vai ficar nada sem ser entendido.

Em 2016, ainda no Kester, compramos o direito de transmitir informações da Feira Internacional de Tecnologia e Acessibilidade.
Mas o que isso quer dizer?
Quer dizer que nosso portal, era o único no Brasil que poderia veicular as reportagens, e que para outros copiarem, precisariam de nossa autorização.
Poderíamos até cobrar pela reportagem, muitos jornais fazem isso, mas lógico, nunca o faríamos.
O contrato que fizemos na época, no valor de 9 Mil Euros, se encerra em 2019.
Tínhamos o interesse em fazer um novo, e propusemos a diretoria da Entidade de Invisuais de Berlin, organizadora da Feira, os direitos de transmissão de 2020 a 2025.

Estava tudo encaminhado até sermos surpreendidos.
Primeiro com a notícia de que a diretoria do Presidente Eriksson Neuer, foi derrotada nas eleições internas da EI Berlin.
A nova Presidente seria Paola Cherer, e era com ela e sua equipe que deveríamos tratar.
A equipe presidencial assumiu a EI Berlin em 25 de agosto.
No dia 2 de setembro, publicaram uma resolução como base, para empresas interessadas na exclusividade do evento.
Teríamos de pagar agora, 25 Mil Euros, um valor muito elevado, para as informações poderem ser repassadas com exclusividade.
Para que eu tivesse um espaço para discursar na Feira, geralmente usado para falar um pouco sobre a acessibilidade e comunicação, antes de graça e que não levava
mais do que
30 minutos, teríamos de pagar ainda.
Mais 2 Mil Euros nesse ano, e que poderiam ser reajustados em anos seguintes.
Isso de fato começou a me incomodar.
Pegaram uma coisa tão boa e bonita que era a Feira de Acessibilidade, e a transformaram num grande balcão de negócios.
Quem pode mais, expõe, fala, quem não pode, não tem vez.
Mesmo não concordando, estávamos dispostos a ir esse ano, terminar nosso contrato e pensávamos se aceitaríamos ou não o contrato do ano que vem.
Pedimos a Feira que incluísse no contrato, o direito de transmitir o evento ao vivo, para nossos assinantes.
Isso a partir de 2020.
Seria uma coisa incrível e para muitos, experiência inigualável.
Mas, eles foram contra.
Além de não disponibilizar a estrutura para a transmissão, Paola Cherer ainda quis que pagássemos por cada pessoa que fosse ver o evento.
Assim como cobram ingresso de quem entra na Feira, queriam cobrar dos assinantes que assistissem Online.

Desistimos do contrato e comunicamos na manhã desta quarta-feira.
Ainda neste dia, Paola e sua equipe responderam nosso comunicado, informando que não era necessária a nossa presença, e que eles não iriam liberar quaisquer imagens
da Feira,
mesmo porque no Brasil, ninguém falava alemão.
Mal eles falavam o português.

Não podemos ao nosso ver, misturar coisas, julgar pessoas, fazer conclusões precipitadas de situações.
Ninguém disse que o evento seria transmitido em alemão, nunca dissemos que não colocaríamos um tradutor.
E mais, não estávamos pedindo nada demais, para sermos tratados dessa forma.

O ex-presidente Eriksson Neuer, assim como eu, ficou indignado com essa atitude.
"Mancha a Fita e o que lutamos pra construir ao longo de 12 anos", ele me escreveu na noite desta quarta-feira.
De fato, mancha mesmo e muito.
De fato, indigna e muito.
De fato, não devemos estar mais na Feira de Tecnologia neste ano.
Nossos integrantes se quer chegaram a viajar, pois eu não quis arriscar represálias ou constrangimentos desnecessários.
Minha participação havia sido cancelada antes disso, então nossos leitores tem de nos perdoar, mas é o que aconteceu.
E infelizmente nesse ano, não poderemos entregar, as notícias de maneira tão rápida como em anos anteriores.
Não quer dizer que não vamos falar sobre a Feira, isso ninguém pode nos impedir. Mas teremos certa dificuldade em relação a isso.